quarta-feira, 18 de maio de 2016

Índice de Desenvolvimento Humano

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos(desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos(desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos em nível nacional. Cada ano, ospaíses membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.
O índice foi desenvolvido em 1990 peloseconomistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD) no seu relatório anual.

Origem[editar | editar código-fonte]

O IDH surge no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e no Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH). Estes foram criados e lançados peloeconomista paquistanês Mahbub ul Haq em 1990 e teve como objetivo explícito: "Desviar o foco do desenvolvimento da economia e da contabilidade de renda nacional para políticas centradas em pessoas."[3] Para produzir os RDHs, Mahbub ul Haq reuniu um grupo de economistas bem conhecidos, incluindo: Paul Streeten, Frances Stewart, Gustav Ranis, Keith Griffin, Sudhir Anand e Meghnad Desai. Mas foi o trabalho deAmartya Sen sobre capacidades e funcionamentos que forneceu o quadro conceptual subjacente. Haq tinha certeza de que uma medida simples, composta pelo desenvolvimento humano, seria necessária para convencer a opinião pública, os acadêmicos e as autoridades políticas de que podem e devem avaliar o desenvolvimento não só pelos avanços econômicos, mas também pelas melhorias no bem-estar humano. Sen, inicialmente se opôs a esta ideia, mas ele passou a ajudar a desenvolver, junto com Haq, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Sen estava preocupado de que seria difícil capturar toda a complexidade das capacidades humanas em um único índice, mas Haq o convenceu de que apenas um número único chamaria a atenção das autoridades para a concentração econômica do bem estar humano.[4] [5]

Critérios de avaliação[editar | editar código-fonte]

A partir do relatório de 2010, o IDH combina três dimensões:
Até 2009, o IDH usava os três índices seguintes como critério de avaliação:

Metodologia[editar | editar código-fonte]

Atual[editar | editar código-fonte]

No Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010 o PNUD começou a usar um novo método de cálculo do IDH. Os três índices seguintes são utilizados:
2. Índice de educação (EI) = \frac{\sqrt[2] {IAME \times IAEE} - 0} {0,951 - 0}
2.1 Índice de Anos Médios de Estudo (IAME) = \frac{AME - 0} {13,2-0}
2.2 Índice de Anos Esperados de Escolaridade (IAEE) = \frac{AEE - 0} {20,6-0}
3. Índice de renda (IR) = \frac{ln(Rendapc) - ln(163)} {ln(108.211) - ln(163)}
Finalmente, o IDH é a média geométrica dos três índices anteriores normalizados:
  • IDH = \sqrt[3]{EV \times EI \times IR}.
Legenda:
  • \mathrm{AME} = Anos Médios de Estudo
  • \mathrm{AEE} = Anos Esperados de Escolaridade

Antiga[editar | editar código-fonte]

Até 2009, para calcular o IDH de uma localidade, fazia-se a seguinte média aritmética:
  • \mathrm{IDH} = \frac{\mathrm{L}+\mathrm{E}+\mathrm{R}}{3} (onde \mathrm{L} = Longevidade, \mathrm{E} = Educação e \mathrm{R} = Renda)
  • \mathrm{L} = \frac{\mathrm{EV}-25}{60}
  • \mathrm{E} = \frac{2\mathrm{TA}+\mathrm{TE}}{3}
  • \mathrm{R} = \frac{\log_{10}\mathrm{PIBpc}-2}{2,60206} nota: pode-se utilizar também a renda per capita (ou PNB per capita).
Legenda:

Relatório de 2014[editar | editar código-fonte]

Abaixo estão listados apenas os países de desenvolvimento humano muito alto:

Críticas[editar | editar código-fonte]

O Índice de Desenvolvimento Humano tem sido criticado por uma série de razões, incluindo pela não inclusão de quaisquer considerações de ordem ecológica, focando exclusivamente no desempenho nacional e por não prestar muita atenção ao desenvolvimento de uma perspectiva global. Dois autores afirmaram que os relatórios de desenvolvimento humano "perderam o contato com sua visão original e o índice falha em capturar a essência do mundo que pretende retratar."[6] O índice também foi criticado como "redundante" e uma "reinvenção da roda", medindo aspectos do desenvolvimento que já foram exaustivamente estudados.[7] [8] O índice foi ainda criticado por ter um tratamento inadequado de renda, falta de comparabilidade de ano para ano, e por avaliar o desenvolvimento de forma diferente em diferentes grupos de países.[9]
O economista Bryan Caplan criticou a forma como as pontuações do IDH são produzidas; cada um dos três componentes são limitados entre zero e um. Como resultado disso, os países ricos não podem efetivamente melhorar a sua classificação em certas categorias, embora haja muito espaço para o crescimento econômico e longevidade. "Isso efetivamente significa que um país de imortais, com um infinito PIB per capita iria obter uma pontuação de 0,666 (menor do que a África do Sul e Tajiquistão), se sua população fosse analfabeta e nunca tivesse ido à escola."[10] Ele argumenta: "A Escandinávia sai por cima de acordo com o IDH, porque o IDH é basicamente uma medida de quão escandinavo um país é."[10]
As críticas a seguir são comumente dirigidas ao IDH: de que o índice é uma medida redundante que pouco acrescenta ao valor das ações individuais que o compõem; que é um meio de dar legitimidade às ponderações arbitrárias de alguns aspectos do desenvolvimento social; que é um número que produz uma classificação relativa; que é inútil para comparações inter-temporais; e que é difícil comparar o progresso ou regresso de um país uma vez que o IDH de um país num dado ano depende dos níveis de expectativa de vida ou PIB per capita de outros países no mesmo ano.[11] [12] [13] [14]No entanto, a cada ano, os estados-membros da ONU são listados e classificados de acordo com o IDH. Se for alta, a classificação na lista pode ser facilmente usado como um meio de engrandecimento nacional, alternativamente, se baixa, ela pode ser utilizada para destacar as insuficiências nacionais. Usando o IDH como um indicador absoluto de bem-estar social, alguns autores utilizaram dados do painel de IDH para medir o impacto das políticas econômicas na qualidade de vida.[15]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ↑ Ir para:a b c d e f g h i HDRO (Human Development Report Office) - United Nations Development Programme (: ). «Human Development Report 2015 – "Sustaining Human Progress: Reducing Vulnerabilities and Building Resilience"» (em inglês). Consultado em 14 de dezembro de 2015.
  2. Ir para cima↑ Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD), : (24 de julho de 2014). «Human Development Report 2014» (PDF) (em inglês). Consultado em 25 de julho de 2014.
  3. Ir para cima↑ Haq, Mahbub ul. 1995. Reflections on Human Development. New York: Oxford University Press.
  4. Ir para cima↑ Sakiko Fukuda-Parr The Human Development Paradigm: operationalizing Sen’s ideas on capabilities Feminist Economics 9(2 – 3), 2003, 301 – 317
  5. Ir para cima↑ United Nations Development Programme. 1999. Human Development Report 1999. New York:Oxford University Press.
  6. Ir para cima↑ Ambuj D. Sagara, Adil Najam, "The human development index: a critical review", Ecological Economics, Vol. 25, No. 3, pp. 249–264, June 1998.
  7. Ir para cima↑ McGillivray, Mark, "The human development index: yet another redundant composite development indicator?",World Development, Vol. 19, No. 10, pp. 1461–1468, Oct. 1991.
  8. Ir para cima↑ T.N. Srinivasan "Human Development: A New Paradigm or Reinvention of the Wheel?", American Economic Review, Vol. 84, No. 2, pp. 238–243, May 1994.
  9. Ir para cima↑ Mark McGillivray, Howard White, "Measuring development? The UNDP's human development index", Journal of International Development, Vol. 5, No. 2, pp. 183–192, Nov, 2006.
  10. ↑ Ir para:a b Against the Human Development Index Comment Posted Posted May 22, 2009, Bryan Caplan – Library of Economics and Liberty
  11. Ir para cima↑ Rao VVB, 1991. Human development report 1990: review and assessment. World Development, Vol 19 No. 10, pp. 1451–1460.
  12. Ir para cima↑ McGillivray M. The Human Development Index: Yet Another Redundant Composite Development Indicator? World Development, 1991, vol 18, no. 10:1461–1468.
  13. Ir para cima↑ Hopkins M. Human development revisited: A new UNDP report. World Development, 1991. vol 19, no. 10, 1461–1468.
  14. Ir para cima↑ Tapia Granados JA. Algunas ideas críticas sobre el índice de desarrollo humano. Boletín de la Oficina Sanitaria Panamericana, 1995 Vol 119, No. 1, pp. 74–87.
  15. Ir para cima↑ Davies, A. and G. Quinlivan (2006), A Panel Data Analysis of the Impact of Trade on Human Development, Journal of Socioeconomics

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